Bem-aventurados os pacificadores

Por Johnny Bernardo 

Não há dúvida de que vivemos um período de intenso embate ideológico e bélico. Acompanhamos preocupados as movimentações do conflito entre os EUA e a Coreia do Norte que pode - nas palavras do presidente russo, Vladimir Putin - acabar em um conflito mundial generalizado. Não é uma questão pontual, ou localizada, mas é um problema que envolve pessoas do mundo todo. Nos EUA, o ressurgimento de uma direita extremista tem gerado novos conflitos nos estados do sul - inclusive com a morte de uma pacifista contrária aos extremistas. O presidente Donald Trump é parte do problema, na medida que tem incentivado - com suas palavras e postura discriminatória - os conflitos raciais. No Brasil temos algo parecido. Michel Temer é o principal responsável pelas mortes no campo. Ao tornar-se refém de uma bancada que representa apenas interesses da oligarquia brasileira - a ruralista -, Temer coloca em risco as conquistas indígenas dos últimos 30 anos. Mas não é o único responsável pelo aumento das rivalidades. A outros, como Jair Bolsonaro.

Triste é saber que uma pequena minoria de cristãos conservadores são favoráveis a extinção de reservas indígenas e comunidades quilombolas. O problema não para por aí. Estes mesmos "cristãos" são partidários de práticas desaprovadas internacionalmente, como tortura, linchamento público, pena de morte, porte de armas e castração química de estupradores. Tais cristãos negam a mensagem humanitária de Cristo. No Sermão do Monte, Jesus diz que "bem-aventurados são os pacificadores" (Mateus 5:9). O próprio Cristo é chamado pelo profeta Isaías de o "príncipe da paz" (Isaías 9:6). Jesus veio ao mundo com o objetivo de estabelecer uma visão pacificadora do Evangelho. O segundo maior mandamento, segundo Cristo, é "amar o próximo como a nós mesmos" (Marcos 12:19). Não podemos amar ao próximo e, ao mesmo tempo, sermos favoráveis a morte de pobres e negros pela polícia. Jesus não pregou a mensagem do ódio, da vingança, e sim a mensagem do amor. Como cristãos, também devemos zelar pela mensagem pacificadora.